O AGRONEGÓCIO EM UM MUNDO PÓS-MODERNO: REFLEXIVIDADE, RISCO E AS REDES DE COPRODUÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE
Palavras-chave:
Agronegócio sustentável, Modernização reflexiva, Sociedade de risco, Teoria ator-redeResumo
A temática do III Simpósio InterAgro, AgroTech 2025: Inovação e Tecnologia no Agro Sustentável, reflete uma premissa amplamente difundida de que o progresso tecnológico é a chave para resolver os desafios do setor agrícola. Este trabalho, no entanto, propõe uma análise mais profunda e crítica, fundamentada em uma perspectiva teórico-crítica da modernidade tardia. A modernidade, em sua essência, é um fenômeno de dois gumes: ela cria oportunidades sem precedentes, mas também gera riscos de alta consequência, como a degradação ambiental em larga escala. O agronegócio, como manifestação dessa modernidade, encontra-se no centro desse paradoxo, operando como um carro de Jagrená em constante movimento, que avança em direção ao progresso, mas ameaça escapar ao nosso controle coletivo e se espatifar. O objetivo deste resumo expandido é aprimorar a questão original sobre o caminho para o desenvolvimento sustentável, afastando-se da busca por uma solução linear e teleológica. Em vez disso, propõe-se um novo olhar teórico para a sustentabilidade, baseado nos conceitos de modernidade radicalizada, sociedade de risco e teoria ator-rede. A metodologia empregada consiste em uma análise teórica qualitativa, que sintetiza os pensamentos de Anthony Giddens, Ulrich Beck, Bruno Latour e Ignacy Sachs, a partir da circulação de ideias em suas obras e em debates contemporâneos da área em Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS). A principal conclusão é que o caminho para o agronegócio sustentável não pode ser uma grande narrativa de progresso tecnológico inquestionável. Ele deve ser um processo de modernização reflexiva, no qual o setor reconhece e internaliza os riscos que produz – o chamado efeito bumerangue. Isso exige a construção de redes sociotécnicas mais democráticas e inclusivas, que promovam a justiça epistêmica e a transdisciplinaridade, integrando não apenas a expertise científica, mas também os saberes tradicionais e a participação da sociedade civil. O desenvolvimento sustentável, neste contexto, é um projeto coletivo, político e ético de coabitação com o terrestre.
Referências
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